Criadores de Fauda falam sobre o tema da nova leva de episódios
Lior Raz em cena da série Fauda
A quinta temporada de Fauda estreia na Netflix, nesta terça-feira (8), abordando o sensível tema por trás da Guerra Israel-Hamas, batalha sanguinária iniciada em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas, organização terrorista islâmica que governa a Faixa de Gaza, lançou a maior ofensiva em anos contra Israel. Desde então, milhares de pessoas já morreram em razão do conflito
Para Avi Issacharoff, cocriador da série ao lado do ator Lior Raz, seria impossível continuar retratando a realidade da região sem considerar o caso mais marcante vivido nas últimas décadas.
“Entendemos que uma série que lida com a realidade do Oriente Médio, em Israel, não pode se desvincular do maior acontecimento ocorrido aqui nos últimos, eu diria, 75 ou 80 anos. Não é possível ignorá-lo”, argumentou, em entrevista à Netflix.
Lior Raz, intérprete do protagonista Doron, explicou que a nova temporada não pretende simplesmente reproduzir os desdobramentos daquela data. A proposta foi retratar os personagens em situações inspiradas por fatos, preservando a precisão histórica sem abrir mão da imprevisibilidade própria da ficção, “inserindo os personagens naquelas situações e naquela história que realmente aconteceu.”
A trama se passa dois anos após o 7 de Outubro e acompanha Doron diante de antigos fantasmas e novos adversários. Uma operação de vingança não autorizada, liderada por um velho amigo em Marselha, na França, acaba arrastando-o para uma perigosa missão de infiltração.
Mais do que combatentes dispostos a retornar continuamente ao campo de batalha, a quinta temporada apresenta “guerreiros quebrados”, nas palavras de Raz. O trauma ocupa lugar central na trajetória dos personagens, incluindo Doron.
Logo na abertura, ele tenta se recuperar do transtorno de estresse pós-traumático, procura um terapeuta e busca elaborar tudo o que passou. O esforço, porém, esbarra na própria intensidade da vida: sem tempo para cuidar das feridas, ele se vê novamente envolvido pelos acontecimentos.
Na avaliação de Issacharoff, a vingança na região se tornou especialmente frequente depois do 7 de Outubro, mas isso conduz a uma questão central:
“Agora que você se vingou, isso mudou sua realidade? Isso faz de você uma pessoa melhor? Isso torna seu povo melhor? Essa é uma das questões que Fauda aborda na quinta temporada e coloca em discussão. Acho que é preciso assistir aos episódios para entender a resposta, porque acredito que a maioria de nós compreende que a vingança é como um ciclo. Ela não leva a lugar algum.”
“Espero que, ao assistir à série, [os espectadores] entendam como a paz é importante”, completou Raz. “Precisamos pensar de outra maneira. A guerra está destruindo o mundo, está destruindo nossa região, nosso país… Sabemos que as pessoas assistem a esta série no mundo inteiro (no mundo árabe, em Israel) e vão perceber como o preço da guerra é alto e como precisamos ter esperança para encontrar uma solução para essa situação.”
Issacharoff fez questão de estabelecer um limite: Fauda continua sendo uma série de televisão, não um retrato documental da realidade. Ainda assim, ele considera haver ali uma história capaz de suscitar perguntas difíceis para públicos de diferentes países, não apenas para israelenses. A principal delas diz respeito ao próprio sentido da vingança: vale a pena retaliar? Faz sentido perpetuar um ciclo aparentemente interminável de derramamento de sangue? E aonde esse caminho conduz? Para o cocriador, essas questões estão no centro da quinta temporada. •