Um consórcio dos Emirados Árabes Unidos anunciou planos para estabelecer o WorldLink, um projeto de infraestrutura de comunicações avaliado em aproximadamente US$ 700 milhões, que conectará os Emirados Árabes Unidos à Turquia através do Iraque.
Este anúncio surge pouco depois de a Arábia Saudita ter apresentado o SilkLink, avaliado em cerca de mil milhões de dólares, que visa reabilitar a infraestrutura de comunicações da Síria e transformar o país num corredor terrestre de dados entre a Ásia e a Europa.
Ambos os projetos ilustram os crescentes esforços dos países do Golfo para se posicionarem como centros de conectividade regionais e globais, em meio à ampla competição por infraestrutura de inteligência artificial (IA), centros de dados e influência econômica e geopolítica.
Na última década, os Emirados Árabes Unidos consolidaram sua posição como o centro mais importante e avançado do Oriente Médio para conectividade global de dados.
Sua vantagem reside na combinação de uma densidade excepcionalmente alta de cabos submarinos de comunicação — alguns dos maiores e mais importantes do mundo —, um sistema avançado de centros de dados e serviços em nuvem, e uma regulamentação estável e ambientalmente amigável.
Na prática, deixou de ser uma simples "estação de trânsito" regional e tornou-se um componente essencial da infraestrutura global da internet.
A Arábia Saudita, por outro lado, está em processo de reduzir a diferença em relação ao seu vizinho e de se consolidar como um importante centro digital regional.
No âmbito da Visão 2030, o reino está investindo recursos significativos na implantação de fibra óptica em todo o seu território, na construção de centros de dados e na implementação de projetos de conectividade terrestre.
Sua vantagem relativa está ligada à dimensão de seu mercado interno e à crescente demanda interna por serviços em nuvem, inteligência artificial e conteúdo digital.
O reino considera a conectividade de dados como um elemento da soberania digital e de uma política industrial mais ampla.
Além disso, estão sendo promovidas conexões regionais com o objetivo de fortalecer a capacidade de comunicação no Golfo.
Um dos mais importantes é o cabo submarino de comunicações Al-Khaleej.
Este cabo contornará a Arábia Saudita e conectará os Emirados Árabes Unidos ao Bahrein, Omã e Catar.
Esses projetos refletem uma clara tendência regional: a competição entre os Estados do Golfo pelo controle das futuras rotas de dados não é apenas uma questão tecnológica, mas parte de uma luta mais ampla por posicionamento estratégico, influência econômica e liderança na era digital e da IA.
Riade e Abu Dhabi competem para consolidar sua posição como centros regionais, atrair empresas globais de computação em nuvem e controlar o tráfego de dados entre a Ásia, a Europa e a África.
No entanto, a competição desenfreada pode levar à duplicação e à fragmentação, enquanto a coordenação, mesmo que parcial, transformaria todo o Golfo em um dos corredores digitais estratégicos mais importantes do mundo.
Fonte: INSS – Instituto de Estudos de Segurança Nacional