Governo iraniano, que enfrenta protestos massivos da população, promete retaliação aos Estados Unidos e Israel após ser alvo de ameaças feitas por Trump
Ogoverno do Irã elevou o tom neste domingo (11) e prometeu retaliação aos Estados Unidos e Israel caso seja alvo de um ataque. A declaração ocorre em meio a uma escalada retórica promovida pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que voltou a ameaçar intervir no país persa sob o pretexto de “ajudar” manifestantes que protestam contra o regime dos aiatolás.O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que qualquer ação militar dos EUA terá consequências diretas contra interesses norte-americanos e israelenses na região.
“Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”, declarou Qalibaf em pronunciamento na TV estatal iraniana.
Ameaça de Trump
A resposta de Teerã vem após uma série de declarações de Trump, que nos últimos dias insinuou uma possível intervenção direta no Irã. No sábado (10), o presidente norte-americano afirmou que o país está “buscando a liberdade” e que os Estados Unidos estão “prontos para ajudar”, discurso interpretado como uma ameaça velada de invasão.
O endurecimento do discurso dos EUA ocorre enquanto o Irã enfrenta uma onda de protestos internos de grandes proporções, iniciados ainda no fim de 2025. As manifestações começaram entre comerciantes — tradicionalmente uma base de apoio do regime — e se espalharam por diversos setores da sociedade, passando a incluir também demandas pelo fim da teocracia que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979. Segundo a ONG de direitos humanos Hrana, ao menos 116 pessoas morreram desde o início dos protestos.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou na sexta-feira (9) que o governo “não vai recuar” diante das manifestações. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, classificou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”. Ali Larijani, conselheiro de Khamenei e chefe da principal agência de segurança do país, foi ainda mais longe ao afirmar que o Irã está “em plena guerra” e que parte dos protestos teria sido “orquestrada no exterior”.
Pressão externa, acusações e risco de conflito regional
Nesse contexto, Teerã acusa diretamente os Estados Unidos de incitar a instabilidade interna. Washington, por sua vez, rejeitou as acusações. Um porta-voz do Departamento de Estado classificou as declarações iranianas como “delirantes” e disse que elas refletem uma tentativa de desviar a atenção dos problemas internos do regime.
Apesar do discurso oficial dos EUA de defesa da democracia e dos direitos humanos, as ameaças de Trump seguem um padrão histórico de ingerência em assuntos internos de outros países, especialmente no Oriente Médio. O momento de fragilidade do regime iraniano também é visto como uma oportunidade estratégica para Washington e Tel Aviv, que há anos defendem abertamente a queda do governo dos aiatolás.
Israel, aliado histórico dos Estados Unidos, entrou em alerta máximo diante da possibilidade de uma escalada militar. Fontes israelenses afirmaram que há preocupação com uma eventual intervenção norte-americana em apoio aos protestos no Irã. No sábado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, conversou por telefone com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para discutir o cenário, segundo autoridades dos dois países.
A situação se agrava ainda mais pelo contexto internacional adverso ao Irã. Em setembro, a Organização das Nações Unidas restabeleceu sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano. Além disso, o país saiu enfraquecido após uma guerra recente com Israel e pelos golpes sofridos por aliados regionais. Ainda assim, Teerã mantém relações estratégicas com Rússia e China e segue como um importante exportador de petróleo, especialmente para o mercado chinês.
“Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”, declarou Qalibaf em pronunciamento na TV estatal iraniana.
Ameaça de Trump
A resposta de Teerã vem após uma série de declarações de Trump, que nos últimos dias insinuou uma possível intervenção direta no Irã. No sábado (10), o presidente norte-americano afirmou que o país está “buscando a liberdade” e que os Estados Unidos estão “prontos para ajudar”, discurso interpretado como uma ameaça velada de invasão.
O endurecimento do discurso dos EUA ocorre enquanto o Irã enfrenta uma onda de protestos internos de grandes proporções, iniciados ainda no fim de 2025. As manifestações começaram entre comerciantes — tradicionalmente uma base de apoio do regime — e se espalharam por diversos setores da sociedade, passando a incluir também demandas pelo fim da teocracia que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979. Segundo a ONG de direitos humanos Hrana, ao menos 116 pessoas morreram desde o início dos protestos.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou na sexta-feira (9) que o governo “não vai recuar” diante das manifestações. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, classificou os manifestantes de “vândalos” e “sabotadores”. Ali Larijani, conselheiro de Khamenei e chefe da principal agência de segurança do país, foi ainda mais longe ao afirmar que o Irã está “em plena guerra” e que parte dos protestos teria sido “orquestrada no exterior”.
Pressão externa, acusações e risco de conflito regional
Nesse contexto, Teerã acusa diretamente os Estados Unidos de incitar a instabilidade interna. Washington, por sua vez, rejeitou as acusações. Um porta-voz do Departamento de Estado classificou as declarações iranianas como “delirantes” e disse que elas refletem uma tentativa de desviar a atenção dos problemas internos do regime.
Apesar do discurso oficial dos EUA de defesa da democracia e dos direitos humanos, as ameaças de Trump seguem um padrão histórico de ingerência em assuntos internos de outros países, especialmente no Oriente Médio. O momento de fragilidade do regime iraniano também é visto como uma oportunidade estratégica para Washington e Tel Aviv, que há anos defendem abertamente a queda do governo dos aiatolás.
Israel, aliado histórico dos Estados Unidos, entrou em alerta máximo diante da possibilidade de uma escalada militar. Fontes israelenses afirmaram que há preocupação com uma eventual intervenção norte-americana em apoio aos protestos no Irã. No sábado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, conversou por telefone com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, para discutir o cenário, segundo autoridades dos dois países.
A situação se agrava ainda mais pelo contexto internacional adverso ao Irã. Em setembro, a Organização das Nações Unidas restabeleceu sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano. Além disso, o país saiu enfraquecido após uma guerra recente com Israel e pelos golpes sofridos por aliados regionais. Ainda assim, Teerã mantém relações estratégicas com Rússia e China e segue como um importante exportador de petróleo, especialmente para o mercado chinês.