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O Hino das Grandes Festas

Coisas Judaicas

Por Shlomo Yaffe

"Países, estados, províncias e até algumas companhias japonesas têm hinos.

Um hino é uma peça de música que expressa a essência da entidade que celebra, um tema comum que une todas as pessoas e as variadas atividades da vida naquele local.
A época das Grandes Festas também possui um "hino".

Estamos chegando a uma época de dias profundos, poderosos, do Calendário Judaico. As Festas e datas especiais desses dias tocam cada fibra do nosso ser e tocam praticamente cada nota que nossa alma pode cantar.

Durante o mês de Elul nos engajamos em introspecção e exame de consciência. 
Em Rosh Hashaná, exploramos nossa conexão pessoal e comunal com D'us e renovamos nossa crença de que podemos fazer uma diferença em nosso mundo.

Durante os Dez Dias de Retorno que atingem o auge em Yom Kipur, confrontamos a negatividade em nosso passado. Conectamo-nos então com nossa suprema Fonte num nível mais profundo que nossas falhas podem atingir, e com o poder daquele vínculo transformamos a amargura do passado na doçura de um futuro melhor.Com esta recém-encontrada proximidade ao transcendente, entramos então na Festa de Sucot, onde todo aspecto de nossa vida é abraçado e imbuído com a presença do amor de D'us por nós e nosso amor recíproco de D'us – uma experiência que engendra a grande felicidade que culmina no júbilo consumado de Shemini Atsêret e Simchat Torá.

Essas experiências são bastante variadas, porém fazem parte de uma única massa contínua. Possuem um hino que expressa aquela continuidade.

O "hino" das Grandes Festas, que abrange os meses de Elul e Tishrei, é o Salmo 27, "D'us é minha Luz".

Durante 50 dias – de Rosh Chôdesh ("cabeça do mês") de Elul até o sétimo dia de Sucot (Hoshana Rabbah) – recitamos este Salmo duas vezes ao dia, de manhã e à noite. Sua primeira linha é a chave para todas as experiências supramencionadas: "D'us é minha Luz…"

O objetivo da luz é revelar. Isso nos permite ver claramente aquilo que reluz. Este hino dá voz à nossa sensação de que durante esta época do ano D'us está singularmente acessível, e portanto podemos abrir as portas da nossa consciência a D'us e permitir que Sua luz revele tudo aquilo que possuímos, mas de alguma forma perdemos nos corredores sombrios da vida cotidiana.

Esta luz é o tema dominante dessa época:

A luz revela nossas falhas. Revela nosso potencial para transcender aquelas falhas e que nosso sonho de perfeição é uma visão que estamos habilitados a atingir.

Revela que não estamos tão longe da Divindade como pensávamos estar e que não somos uma entidade separada de D'us, mas uma extensão de Sua essência.

Revela nossa habilidade de ver esta qualidade Divina também em todas as pessoas, a nossa capacidade de nos elevarmos acima do sofrimento do transitório e efêmero e de nos alegrarmos no real e no eterno.

À medida que pronunciamos essas palavras magníficas a cada dia desse período, vamos nos abrir à luz Divina dentro de nós, e transformar a nós mesmos e ao nosso mundo – para melhor.

Tehilim (Salmos) – Capítulo 27

(Um salmo), por David. A-do-nai é minha luz e minha salvação, a quem eu temerei? A-do-nai é a força da minha vida, de quem terei medo?
Quando malfeitores aproximam-se para devorar minha carne, meus atormentadores e meus inimigos, são eles que tropeçam e caem.
Mesmo que um exército me cercasse, meu coração não temeria. Mesmo que a guerra se erguesse contra mim, nisso eu confio.
Uma coisa pedi a A-do-nai, isso eu procuro: que eu habite na Casa de A-do-nai todos os dias da minha vida, para contemplar o prazer de A-do-nai e meditar em Seu Santuário.
Pois Ele me guardará em Seu abrigo no dia da aflição. Ele me ocultará no esconderijo de Sua tenda. Ele me erguerá sobre uma rocha.
Então minha cabeça estará elevada acima dos meus inimigos à minha volta. Eu oferecerei em Sua Tenda oferendas de júbilo. Eu cantarei e entoarei louvor a A-do-nai.
A-do-nai, ouve minha voz quando eu chamo, favorece-me e responde-me.
De Ti (D’us), meu coração diz: "Procura Minha Presença." Tua Presença, A-do-nai, eu procuro.
Não escondas Tua Presença de mim, não rejeites Teu servo em ira. Tu tens sido minha ajuda. Não me abandones, não me desampares, ó D'us da minha salvação.
Embora meu pai e minha mãe tenham me abandonado, A-do-nai me acolherá.
Instrui-me, A-do-nai, em Teu caminho, e conduze-me no atalho da integridade por causa dos meus atentos inimigos.
Não me entregue aos desejos dos meus atormentadores. Pois, eis que apareceu contra mim falso testemunho que sopra (fala) violência.
(Eles me teriam esmagado) se eu não tivesse acreditado na contemplação da bondade de A-do-nai na terra da vida.
Espera por A-do-nai, fortalece-te e Ele te dará coragem; e espera por A-do-nai.

Notas:
1 - Tradução adaptada da edição do Tanach de Judaica Press, por Rabi A. J. Rosenberg. 

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