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Judeus na Áustria


Acredita-se que a história dos judeus na Áustria começa desde os tempos do Império Romano, mas dados foram catalogados somente a partir do século IX, X e XI. 

No século XIII, o imperador austríaco Friedich III de Habsburgo, concedeu certos direitos aos judeus, o que deu a oportunidade de judeus participarem na administração do país e de obterem cargos de relativo status. No século XIV e XV, a relação da comunidade judaica austríaca com a comunidade não-judaica começa a sofrer um desgaste. Foram tirados direitos dos judeus, cobrados impostos especiais, dívidas governamentais com a comunidade judaica não foram pagas e houve um aumento significativo do anti-semitismo. Isto levou a uma série de expulsões e massacres. Por exemplo, em 1420 o rei Alberto V ordenou a prisão de todos judeus austríacos. Grande parte fugiu e cerca de 270 foram queimados. Em 1440 há uma relativa melhora no tratamento aos judeus no governo de Frederico III, que permite que os judeus se assentem em algumas localidades, mas essa melhora logo é suplantada pelo governo de Maximiliano I que volta a utilizar uma política antijudaica, como a expulsão dos judeus de certas cidades. 

Foi no século XVI que os judeus foram obrigados por lei a utilizar uma identificação amarela em suas roupas que mostrava que eles eram de fé judaica. Apesar dessa lei, o número de judeus na Áustria não diminuía e o anti-semitismo não estava tão forte como antes. Em 1669, foi lançado um édito de expulsão dos judeus que só não afetou as famílias dos judeus de maior riqueza e poder, como Samuel Oppenheimer. Em 1727 foi feita uma lei que permitia somente o casamento do filho mais velho de uma família judaica; e em 1752 havia cerca de 452 judeus em Viena, capital da Áustria. 

Em 1780, no reinado de Joseph II, começa uma era de maior tranqüilidade para os judeus, já que são lançadas leis (Toleranzpatente) que permitem a liberdade religiosa dos indivíduos, com o objetivo maior de alcançar protestantes. Os judeus tiveram então direito de participar de escolas públicas, universidades, exército, agricultura, entre outras áreas. Havia cerca de 1.5 milhão de judeus no mundo vivendo em guetos antes dessas liberdades. Apesar da aquisição de certos direitos, os judeus enfrentaram uma oposição ferrenha em certas áreas (inclusive ainda não podiam ter terras) e por isso se mantiveram principalmente na área comercial, industrial e bancária, encontrando grande sucesso nelas; A família Rothschild de Viena é um ótimo exemplo da prosperidade que alguns judeus conseguiram atingir durante essa época, obtendo assim poder econômico e político. 

Quando ocorre a morte de Joseph II, são novamente colocadas em prática muitas das idéias segregacionistas antes utilizadas. Mesmo assim, a população judaica de Viena passou de 500-600 em 1800 para 4000 em 1848. Em 1848, foi o ano das revoluções denominadas “Primavera dos Povos” e os judeus participaram desses movimentos revolucionários. Nesse ano também é feita uma constituição que previa a liberdade de culto para todos; também restaurava certos direitos aos judeus, como cargos políticos, casamentos ilimitados e impostos iguais aos outros. Em 1851, no governo de Franz Joseph I, começa uma série de restrições como a impossibilidade de judeus possuírem terras, serem professores etc. Também houve uma divisão entre a imprensa, em que um lado tinha idéias anti-semitas que queriam proibir judeus de publicar artigos, enquanto que o outro lado não desejava isso. 

Em 1858 é construída a sinagoga de Viena, uma das mais modernas da Europa. Em 1867, há a junção do império Austríaco com a Hungria e os judeus começam a ter os direitos totais de qualquer cidadão. A comunidade judaica prosperava; Viena contava com 40000 judeus e outras cidades estavam começando a desenvolver suas próprias comunidades. O iídiche começou a perder espaço na Áustria e a emancipação estava em seu auge, o que culminou com o aumento do número de casamentos mistos e mais tarde com um sentimento antijudaico por parte de nacionalistas. 

No fim do século XIX os judeus começam a se organizar em grupos políticos distintos. Havia partidos sionistas (com base nas idéias de Theodor Herzl), socialistas e nacionalistas, que eram a favor da assimilação. 

Durante a 1ª Guerra Mundial (1914-1918) é possível notar um aumento tremendo no número de judeus austríacos, devido à imigração de judeus germânicos para a Áustria, que eram em torno de 200.000, sendo a grande maioria habitante de Viena. Em 1918 o número de judeus era de 300.000 e desses, 200.000 viviam na capital austríaca. No período de 1918-1934 a vida dos judeus foi relativamente boa, o que possibilitou uma prosperidade da comunidade e dos movimentos sionistas. 

Durante a Shoah, mais especificamente a partir de 1938 (quando a Áustria foi anexada pela Alemanha – Anschluss), os nazistas alemães começaram a perpetrar atos de terror contra os judeus. Houve uma taxa de emigração de 8600 judeus por mês. No mesmo ano, 27000 judeus vienenses foram deportados. Durante os pogroms ocorridos em novembro de 1938 (incluindo a Noite dos Cristais), cerca de 8000 judeus foram presos e 5000 foram para Dachau. Na cidade de Viena, 42 sinagogas foram queimadas e 4038 lojas foram saqueadas. Cerca de 11000 judeus conseguiram com sucesso partir para países neutros no início da 2ª Guerra Mundial. 

Em 1941(ano que foi proibida oficialmente a emigração judaica), 5486 judeus foram deportados para o gueto de Lodz. Nesse ano, sobraram cerca de 40000 judeus na Áustria. 128.500 judeus já tinham emigrado até então (sendo 30.800 para a Inglaterra, 24.600 para outros países europeus, 28.600 para os EUA, 9.200 para a Palestina e 39.300 para outros 54 países). 

Em 1943 havia aproximadamente 800 judeus em Viena, que estavam escondidos entre a comunidade não judaica. Mathausen, um dos maiores campos de concentração, situava-se na Áustria. 

De 50.000 judeus austríacos deportados para guetos, retornaram 1747.Outros 20.000 judeus foram mortos em outros países para os quais haviam imigrado. O número de judeus austríacos que foram assassinados durante o holocausto foi de 70.000. 

Após a guerra, muitos judeus voltaram, mas a maioria emigrou para Israel. Em 1967 a relação da Áustria com Israel melhorou devido ao apoio dado pelo país na Guerra dos Seis Dias. 

Hoje em dia, há cerca de 7.400 judeus no país; sinagogas foram construídas e o governo assumiu a responsabilidade pelas atrocidades cometidas durante o Terceiro Reich. Mesmo assim, ainda há movimentos neonazistas e anti-semitas na Áustria sendo que até hoje não houve uma compensação devidamente paga aos sobreviventes do Holocausto

Fonte : Chazit Hanoar Porto Alegre

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