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Judaísmo: tradição e renovação



Judaísmo: tradição e renovação
Texto escrito pelo Rabino Walter Homolka, diretor da Escola Rabínica Abraham Geiger, Berlim, Alemanha.
 No seu National Jewish Population Survey, a União das Federações da América do Norte, as Comunidades Judaicas Unidas, chegam à imagem seguinte: a população judaica dos EUA perfaz 5,2 milhões de pessoas, destas pertencem 21% ao Judaísmo ortodoxo e todos os seus matizes, 79% ao Judaísmo não-ortodoxo, a saber 33% ao Judaísmo Conservador. 42% ao movimento de Reforma (inclusive Reconstrucionismo) e 4% a outros agrupamentos não-ortodoxos. 

Em famílias judaicas com idade abaixo de 35 anos, o Judaísmo liberal é a orientação preponderante

Com isso cresce hoje um movimento acima da média, o qual foi fundado em 1863. Naquele tempo, surgiu por iniciativa do rabino Isaac Mayer Wise, originado da Boêmia, a União de Congregações Hebraicas Americanas, cujo nome foi mudado em 2003 para o de União do Judaísmo de Reforma. Nos EUA, nos quais correntes imigratórias judaicas da Europa central e de leste não encontravam nenhuma ofertas de formação judaicas, o Judaísmo liberal, a partir da Alemanha, se tinha propagado muito rápido desde 1850. A finalidade era viver no Mundo Novo, um Judaísmo vivo, correspondente ao seu tempo. Em 1875, o Hebrew Union College em Cincinnati foi aberto com o primeiro seminário de rabinos americanos; durante o tempo do nacional-socialismo, muitos cientistas encontraram colocação ali, que conseguiram a saída da Alemanha, e que renovaram assim as relações históricas. 

À União do Judaísmo de Reforma contava, além do Hebrew Union College Cincinnati, com mais postos em Los Angeles, Nova Iorque e Jerusalém, com 75.000 membros, a União de Mulheres Judaica-religiosa, (Women for Reform Judaism) fundada em 1913 e a Conferência Central de Rabinos Americanos que, com 1.500 membros, era a maior reunião profissional rabínica no mundo inteiro. A União para Judaísmo de Reforma faz parte da União Mundial para Judaísmo Progressivo [WUPJ = World Union for Progressiv Judaism]. Foi fundada em 1926, como união mundial do Judaísmo liberal, em Londres; a sua primeira conferência internacional teve lugar em 1928 em Berlim. A sede hodierna é, desde 1971, em Jerusalém. A WUPJ é hoje a maior organização mundial religiosa do Judaísmo, representando 1.200 comunidades sinagogais com bem 2 milhões de membros em 46 países. O seu presidente é Steve Bauman (EUA), e o seu presidente o rabino Uri Regev (Israel).

Raízes na Alemanha 

A história espiritual do Judaísmo liberal teve o seu começo há 200 anos no então reinado da Vestefália. Ali o irmão de Napoleão Jerome chegara a ser rei. O seu estado de modelo devia trazer aquisições do tempo de (pós-) Revolução Francesa para o solo alemão. O reformador judaico Israel Jacobson (1768-1828) percebeu que isso também pudesse significar a base para uma convivência de judeus e cristãos com direitos civis iguais. No seu pensar político e religioso, Jacobson era cunhado pelos ideais do Iluminismo, dirigindo-se, primeiro em Seesen e Kassel, a seguir em Berlim, à reforma de formação e serviço religioso judaicos. 

A ressonância era considerável. “Os serviços religiosos são agora mais dignificantes, está sendo feito um sermão edificante em língua alemã, algumas orações estão sendo faladas antes em alemão do que em hebraico, um órgão acompanha a solenidade, e certas orações, especialmente aquelas que tratam da volta à Palestina e da re-edificação do Templo em Jerusalém estão sendo completamente omitidas”, resume o historiador Michael A. Meyer. “Queremos uma religião positiva”, diz uma exigência dos reformadores. Pelo fim do século 19, a maioria das comunidades sinagogais alemãs já seguia o “rito novo”, era liberal.

O quê quer dizer “liberal”? 

O desafio do início do século 19 era encontrar uma religiosidade que correspondesse às exigências de pessoas livres de direitos iguais. Duzentos anos mais tarde, é significativo para o Judaísmo liberal que na liturgia seja usada o hebraico como também a língua do país, empregada música, que todas as orações cujo conteúdo hoje mais compartilhado seja evitado, assim como o pedido pela re-introdução de sacrifícios de animais, assim que sejam inclusivas: a igualdade de direitos de mulheres e homens em todos os assuntos religiosos é natural, inclusive a ordenação de mulheres para rabinas. Pelo ano de 1920, era tempo para muitas mulheres judias de descer das galerias das sinagogas, e depois da introdução do direito a voto das mulheres engrenavam-se ativamente na vida da comunidade. Em 1928, como Lily Montagu, estava pela primeira vez uma mulher no púlpito duma sinagoga, e em 1935 foi ordenada em Berlim, com Regina Jonas, a primeira mulher rabina do mundo

A equivalência de todas as pessoas independentemente do seu estado familiar ou orientação sexual é tão natural como a confissão à democracia e justiça social dentro e fora da comunidade judaica. O sentido do conteúdo das Mitzvót tem preferência diante da fixação dessas como leis cerimoniais. A ética vivida está acima do ritual vazio. Os mandamentos são, então, não anulados, mas a sua observação e transposição estão deixadas para a decisão da consciência da pessoa individual. Natural é também a atitude positiva referente à sociedade não-judaica e participação e compartilhamento na comuna. O rabino Caesar Seligmann fez a isso um sermão programático na Nova Sinagoga de Berlim em 1928: “Queremos permanecer judeus no meio dos povos, em cujos países vivemos não como exílio, mas como pátria. 

Queremos andar o caminho com os povos dentro dos quais vivemos, e não de parte deles ou ao lado deles com os quais estamos ligados, não somente política, econômica e socialmente, mas por língua, história e destino em comunidade anímica”. Essa comunidade anímica com eles não podemos e não queremos renunciar , pois essa chegou a fazer parte da nossa personalidade, nossa realidade vivida. Afirmamos a realidade judaica, assim como ela hoje é, nos nossos países, dentro de nós, ao redor de nós. O “Liberal”, então, não significa de modo nenhum “lasso” ou “indiferente”. Plenamente ao contrario, como o rabino Max Dienemann escreveu em 1935: “Aos indiferentismos se dirige a mais aguda, própria luta do liberalismo”.

 Reatar a uma grande tradição 

Para os imigrantes alemão-judaicos na Grã-Bretanha era uma necessidade manter, com a sua herança cultural, também a Wissenschaft des Judentums para a posteridade. Logo depois da mudança de Leo Baeck para Londres em junho de 1945, foi ali chamada a vida a “Society for Jewish Studies”; e em 30 de setembro, o rabino Werner van der Zyl abriu o Jewish Theological College na sinagoga de West London. Quando Baeck morreu dois meses depois, o estabelecimento foi renomeado para Leo Baeck College. Hoje esse seminário de rabinos faz parte dum campus judaico, no qual também professores de religião e dirigentes de comunidade estão sendo formados. A idéia para a fundação de mais um seminário de rabinos na própria Alemanha surgiu em 1998, depois de que o Conselho Central de Judeus na Alemanha recusara uma mulher como bolsista para o estudo de rabinato no exterior. 

O tempo era maduro para uma alternativa no próprio país, a qual pudesse oferecer a formação para rabinos, livre de despesas. A necessidade relacionava-se essencialmente com o número de membros crescente da comunidade judaica para agora 200.000 pessoas, das quais a maioria se originava da antiga União Soviética. Decisivo para a fundação do Colégio Abraham eram a grande necessidade de rabinos que cultural e lingüisticamente podem se dar em comunidades alemães; o desejo de incluir também mulheres na gerência de comunidade; a necessidade de empregar eficientemente os poucos meios existentes para a formação de rabinos. Na questão de lugar, a escolha caiu em Potsdam, porque aqui estão sendo ensinados os estudos judaicos com o ponto de gravidade nos âmbitos de religião e filosofia, história e literatura/cultura, havendo assim já uma oferta de leque largo de ensino, o qual ultrapassa claramente a judaística fortemente secular e cristã. O seminário na tradição da Hochschule für die Wissenschaft des Judentums [Academia para a Ciência do Judaísmo] começou o seu trabalho para o semestre de inverno de 2001.

Comunidade pelo mundo 

A União Mundial para Judaísmo Progressivo tem hoje seções em todos os continentes. As comunidades liberais na América Latina, Austrália e África do Sul são, na maioria dos casos, nasceram da emigração dos países de língua alemã no tempo dos nazistas. Assim Lily Montagu, como presidenta da WUPJ, possibilitou a dois rabinos alemães: o dr. Fritz (Frederico) Pinkuss und dr. Heinrich (Henrique) Lemle, ambos da Academia Berlinense para a Ciência do Judaísmo, em 1936, respectivamente em 1942, a mudança para o Brasil. Dessa iniciativa de ajuda nasceram duas das maiores comunidades judaicas da América do Sul, a Congregação Israelita Paulista (CIP) em São Paulo que agrega 2.000 famílias, e a Associação Religiosa Israelita (ARI) no Rio de Janeiro com cerca de 1.000 famílias. A comunidade judaica liberal na Austrália foi bem decisivamente cunhada pelo rabino dr. Hermann Sänger, bem como por Hermann Schildberger, o diretor musical da comunidade de reforma de Berlim; e quando um estudante do colégio Abraham Geiger foi introduzido no seu ofício como rabino da comunidade vital Temple Israel na Cidade do Cabo, fechou-se um circulo para os pertencentes àquelas famílias fundadoras que faz bem 70 anos se podiam salvar da Alemanha para a África do Sul. 

Mas também na Ásia, o Judaísmo liberal está presente: a União Religiosa Judaica de Bombaim pertencia em 1926 já aos co-fundadores da WUPJ, e também na China há comunidades florescentes, em Hong-kong tanto quanto em Pequim. Na Rússia, Bielorússia e a Ucrânia há entrementes comunidades liberais e um movimento juvenil liberal popular, os quais para as famílias de origem judaica que depois de 70 anos de dominação soviética voltam a procurar uma aproximação à religião, oferecem outra vez uma alternativa bem vinda ao movimento ortodoxo onipresente de Chabad Lubavitch. Para eles vale o que o rabino Ignaz Maybaum formulou assim: “ OJudaísmo, que quer voltar para trás do Iluminismo, parece com um salto mortal para dentro do mundo do Shuchan Aruch, logo na Idade Média”.

 Judaísmo liberal e Israel 

 - Fundada há cinqüenta anos, na primavera de 1958, por um círculo pequeno de cidadãos de Jerusalém ao redor de Shalom Ben-Chorin, a Associação para a Renovação de Vida Religiosa em Israel chegou a ser preparadora de caminho do hodierno Movimento de Israel para Judaísmo Progressivo com entrementes 24 comunidades membros e dois Kibutzim no país inteiro. Para eles vale tanto quanto para judeus e judias liberais no mundo inteiro o que Leo Baeck achou em 1951 na sua viagem pelo jovem Estado de Israel: “Onde quer que viver (o judeu), o Estado de Israel estará com ele, querendo ou não, significando para ele um destino histórico”. Depois de longa luta pelo reconhecimento estatal, o Judaísmo liberal é “parte vital e vibrante do Judaísmo moderno, e governo e povo do Estado de Israel admiram sua contribuição para vida judaica em Israel e na Diáspora”. 

A ligação especial da WUPJ com Israel se expressa atualmente num convênio que foi assinado no fim do setembro de 2007 e almeja fortalecer o Judaísmo liberal em Israel com meios de promoção na importância de 150 milhões de dólares, garantindo assim que o pluralismo e igualdade de direitos aumentem no estado judaico. Já hoje, o Judaísmo liberal está presente no público israelense com casas de hóspedes e centros culturais “Mishkenot Ruth Daniel” em Yaffo e “Beit Shmuel” em Jerusalém, bem como o campus do Hebrew Union College. E: o Centro de Ação Religiosa de Israel da União Mundial se engaja para muito além dos interesses liberal-religioso, para uma sociedade israelense democrática, como por exemplo, o reconhecimento de casamentos civis, para o esclarecimento de questões de status de imigrantes ou para o tratamento igual de cidadãos árabes de Israel. 

__________________
Walter Homolka, no web site Jewish-Christian Relations traz principalmente traduções de artigos publicados em várias línguas sobre o relacionamento cristão-judaico. O responsável é Pedro von Werden SJ, autor também das traduções .


O texto original, em alemão, se encontra disponível no site:

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