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Onomástica italiana; A origem dos Sobrenomes judaicos

A origem dos Sobrenomes judaicos



Onomástica italiana; A origem dos Sobrenomes judaicos - Onomástica italiana
Aldo Campagnano

O sobrenome é o nome próprio que pertence a uma família e que se transmite de pai para filho. Em italiano é chamado de “cognome” e deriva do latim cum nome, no sentido que se acompanha ao nome para melhor caracteriza-lo. O sobrenome é uma criação que corresponde a uma determinada etapa da sociedade, uma conquista relativa a estabilidade e a organização dos indivíduos na coletividade.

Nas línguas neo-latinas ou germânicas o sobrenome é invariável, em outras é conjugado por gênero e numero.
Na antiga Grécia as pessoas eram identificadas com o nome próprio (os nomes individuais eram continuamente inventados), do pai ou da localidade de origem, habito este transferido pelos ancestrais indo-europeus.
Os latinos, população céltica, usavam um sistema onomástico muito semelhante ao atual; era um dos mais complexos e antigos do Ocidente. A explicação para esta complexidade é de natureza social: de fato a família latina era mais organizada da grega, constituindo uma espécie de pequeno estado dentro do Estado.

Os nomes dos latinos possuíam uma formula trimembre, que se construiu progressivamente com o passar das épocas e das correspondentes mudanças sociais:
Ex.: Praenomen (Caio) + Nomen (Julius) + Cognomen (Cesar)
No começo também os romanos usavam somente o nome individual (praenomen). Em seguida para indicar o grande grupo familiar (gens) ao qual o individuo pertencia o nomen foi acrescentado ao praenomen; mas, para evitar confusões nas formulas onomásticas, quando estes grupos (gens) ficaram muito grandes, para distinguir os diferentes ramos dentro da mesma gens, foi acrescentado o cognomen, que se tornou hereditário.

O praenomen passou a ser usado somente entre pessoas que tinham muita familiaridade entre si.
Com a queda do Império Romano, o advento do cristianismo e as grandes invasões bárbaras, os vínculos familiares e sociais mudaram e mudou também o sistema onomástico dos latinos.
A formula trimembre romana caiu em desuso por vários motivos: por causas religiosas, o cristianismo, com sua nova ideologia igualitária e o novo espírito de humildade renunciou as distinções supérfluas; por causas sociais e políticas, em 212, com o edito de Caracalla (Constitutio Antoniana) a cidadania romana era estendida a todos os homens livres do Império e aos imigrantes, perdendo assim a formula trimembre seu valor como “símbolo de classe”; e enfim por motivos lingüísticos, o praenomen e o nomen, estendidos a todos os homens livres perderam a função de identificar, esta função foi transferida sobre o cognomen.

Voltou-se assim ao nome único (muito difundido o dos Santos), não hereditário e substituído as vezes, em ambiente familiar, por diminutivos e eventualmente seguido por adições relativas as suas qualidades, a patronímicos ou toponímicos.
O sistema de nome único se revelou inadequado e na Itália, como em toda a Europa cristã, sentiu-se a necessidade de acrescentar ao nome pessoal um novo elemento para distinguir os indivíduos: voltaram assim os patronímicos, os toponímicos e os apelidos.

A partir do séc. IX até o começo do ano 1000, quando o governo feudal estava definitivamente consolidado, os nobres feudais acrescentaram a seus nomes o nome da terra que acabou ficando como sobrenome geográfico. Tal sobrenome podia ser transferido ao filho primogênito.

O sobrenome foi se difundindo lentamente enquanto a sociedade se tornava sempre mais complexa e organizada e as pessoas abandonavam o campo para as cidades que se transformaram, por sua vez, em grandes conglomerados urbanos.
A consolidação do uso do sobrenome seguia o aumento das relações entre as pessoas e a estruturação da organização social que acabou se baseando em três itens: o individuo, a família e o Estado, estrutura social que surgiu na Itália com a formação das Comunas. Nestas os primeiros difusores dos sobrenomes foram os burocratas: tabeliões, oficiais de justiça e os fiscais contribuíram para a hereditariedade destes registrando-os sobre atas, registros, etc., facilitando a identificação das pessoas que, tendo somente o nome, podiam ser identificados somente através dos nomes dos pais e avós.

As Comunas foram os lugares de origem dos sobrenomes e como a cidade de Veneza foi a primeira a ter uma sua própria independência os primeiros sobrenomes apareceram nesta cidade.

Parece que nesta, já a partir de 819, algumas pessoas já tinham usado uma segunda distinção além do nome próprio, mas é somente durante o 1200 que esta qualificação, com uma fórmula trimembre difundida em cada classe do povo, formada por nome, sobrenome e apelido, alcançou sua definitiva consolidação. Assim a fixação, o uso e a tutela do sobrenome transformaram-se em elementos ligados com a identidade pessoal.
A partir de 1500 o uso do sobrenome era um fato universalmente e definitivamente adquirido. Os sobrenomes, assim como os brasões e as marcas de fabrica, eram transmitidos de geração em geração á regrediram devido a extinção de muitos grupos familiares.

A Igreja teve um importante papel no processo de cristalização dos sobrenomes e, mais exatamente, o clero que se encontrava em todas as cidades e aldeias.
Em 1563, o Concilio de Trento - convocado para promover a Reforma da Igreja na tentativa de remediar a fratura entre católicos e protestantes – entre outras coisas decretou a obrigação de cuidar dos registros de batismo que, a partir deste momento passaram a registrar não somente os nomes das pessoas mas também os de suas famílias. Isto foi determinante na história e significado do sobrenome que passava a validar o uso, difundido a partir do fim de 1300, da proibição de casamentos entre consangüíneos.

Os Estados delegaram, por mais de dois séculos, as funções de emitir atestados de nascimento, casamento e morte à estrutura da Igreja, dando mais fé a ela do que a seus próprios registros.

O conjunto das disposições eclesiásticas relativas aos sobrenomes constituía um sistema completo muito aparecido com o de hoje.
Uma lei de 1803, decretada na França e adaptada depois a outros Estados, proclamava a imutabilidade do nome (entendendo com este o conjunto de nome de batismo e sobrenome), mas permitia a possibilidade de troca-lo com uma autorização por justos motivos.

Tal norma afirmava a necessidade da legalização do nome que se transformou em um verdadeiro objeto de propriedade do cidadão além de um instrumento de ordem ao serviço de um Estado eficiente do ponto de vista administrativo.
Em 1813 uma outra lei francesa (a Itália neste período foi transformada em um conjunto de varias Republicas dependentes da França), emanada pelo vice-rei Eugenio Napoleão, estabelecia que todos os indivíduos ainda sem sobrenome deviam assumi-lo entre um período de três meses. Esta lei foi decretada devido ao fato que, neste período, foi constatado que no território entre Fermo e Macerata (região italiana das Marche) mil e setecentos e uma pessoas não haviam ainda um sobrenome e distinguiam-se somente com os patronímicos (filho/a de).

Na Itália o Código civil, em 1865, não continha ainda uma afirmação explicita do direito ao nome: tal direito foi sancionado, em 1939, com o Real Decreto nº. 1238 (“Ordenamento do Estado Civil”) que estabelecia as
modalidades e as trocas de nome), e, mais tarde seria reforçado pela Constituição e pelo Código Civil (tutela do direto ao nome).

O uso do nome imposto ao individuo e do sobrenome comum a todos os membros de uma família e transmitido de pai para filho, foi enraizando-se nos hábitos de todos os povos civis em maneira tão segura de dispensar nas codificações modernas uma regra geral que o reconhecesse e o determinasse.
As disposições de leis que se referem ao nome partem assim de um pressuposto indiscutível de tal uso e assim se explica como o código civil italiano achou supérfluo estabelecer com uma regra particular qual devia ser o sobrenome dos nascidos de uma união legitima.

Foi necessário, porém, recorrer aos artigos n.º 172 e 174 do próprio código para determinar que o filho legitimo tinha que usar o sobrenome do próprio pai, o filho natural assumia o nome de família de um dos pais que o quisesse reconhecer, ou do pai se fosse reconhecido por ambos.
Posteriormente em relação aos filhos de pais desconhecidos, a lei italiana estabeleceu que seja o Oficial do estado civil a providenciar o nome (art.58, r.decreto 15 nov. 1865, n. 2602) ou a administração do publico orfanato ao qual a criança tenha sido consignada (art. 378 do cód. Civil).

A lei de 8 março 1928, n.º 383 aprimorando uma proposta de disposição conteúda no citado artigo n.º 58 da lei sobre a organização (ordenamento) do estado civil, proíbe no atestado de nascimento de impor sobrenomes como nomes ou impor nomes (e para os filhos de pais desconhecidos também sobrenomes) ridículos o que levem ofensa à ordem publica ou ao sentimento nacional ou religioso ou que sejam denominações geográficas ou de lugar.

Assim também é proibido impor aos filhos de pais desconhecidos nomes e sobrenomes que possam deixar suspeitas sobre suas origens, ou seja sobrenomes pertencentes a famílias ilustres ou conhecidas onde o ato de nascimento é registrado.
O direito ao nome, conforme resulta das complexas normas legislativas que a ele se referem, não pode ser alienado, abandonado ou adquirido por uso capião. Mas o nome designado ao individuo pode sofrer variações ou adjuntas o também mudar durante a vida deste: a mulher assume com o casamento o nome do marido (art.131do cód. civil); os filhos naturais, reconhecidos somente pela mãe assumem, como já dito, o nome do pai quando sejam reconhecidos

também por este ou quando sejam legitimados, até por um sucessivo casamento, seja por decreto real (art.197 do cód. civil.); enfim em caso de adoção o adotado assume o sobrenome do adotante e o adiciona ao próprio (art. 210 do cód. civil).
A adição ou a troca de nomes e sobrenomes, além dos casos citados previstos pelo código civil, pode ser efetuada também por vontade do individuo, quando porém ocorram graves motivos a serem avaliados caso a caso. Esta hipótese é prevista e disciplinada pelo titulo VIII da já citada lei sobre o ordenamento do estado civil, que estabelece qual procedimento a ser seguido para obter o decreto real que autoriza a troca ou a adição do nome e sobrenome.

Trocas de sobrenomes verificadas nas famílias papais e do patriciado. Trocas, substituições e adições de sobrenomes foram muito freqüentes na Itália, seja por motivos de sucessões ou por instituições fideicomissorias, que por razões como as de nobilitar sobrenomes plebeus ou de dar a eles mais distinção ou, no caso de adições, para encomprida-los e aumenta-los de prestigio ou também para transmitir a lembrança de ilustres famílias extintas.

Existiram no passado exemplos notáveis de troca de sobrenomes no âmbito da Igreja e do Estado Pontifício: Papa Sisto V deu seu sobrenome Peretti ao filho de uma irmã que, por sua vez, teve somente uma filha cujos
descendentes usaram também o mesmo sobrenome. Papa Pio II, impus seu sobrenome, Piccolomini, ao filho de uma sua irmãque havia-se casado com um Todeschini de Siena.
Os Aldobrandini, da família de papa Clemente VII, estinguiram-se na família Borghese, e um componente desta – don Camillo Borghese – abandonou seu próprio sobrenome para se chamar Aldobrandini. etc., etc.

Famílias com muitos sobrenomes

É conhecido que as adições de sobrenomes acontecem de preferência, no patriciado, mas ultimamente os sobrenomes tem a tendência a ficar mais cumpridos em conseqüência da norma XV das disposições transitórias da Constituição da Republica Italiana que permite fazer valer como parte do nome também os predicados nobiliários.

Troca de sobrenomes infamantes

Qualquer um que deseje trocar seu sobrenome porque ridículo ou vergonhoso, ou que revele origem ilegítima, deve fazer pedido ao Procurador Geral da Republica próximo a Corte de Apelação em cuja jurisdição é colocado o oficio de estado civil onde se encontra o certificado de nascimento ao qual o pedido se refere. No pedido, deve ser indicado o motivo da troca.

Nunca podem ser atribuídos, como troca ao sobrenome precedente, sobrenomes de importância históricas ou pertencentes a famílias ilustres ou famosas seja no lugar de residência do solicitante que no lugar de residência, nem sobrenomes que são denominações de localidades, nem que fazem parte da nobreza italiana, nem, também, adições de predicados, apelidos ou sobrenomes precedidos de atributos de nobreza.
Retificação obrigatória dos sobrenomes nas províncias anexadas à Itália em conseqüência da guerra 1915-1918.

Em um discurso proferido na Câmara dos Deputados durante a sessão de 6 de fevereiro 1926 - chamado mais tarde como contra-ataque à campanha pan- alemã
- o chefe do governo deste período depois de ter declarado que os alemães que moravam no Alto-Adige[1] (em província de Trento) não representavam uma minoria nacional, mas uma relíquia étnica de 180.000 pessoas, das quais 80.000 tinham-se tornado alemães, anunciou que logo acharia a maneira de “ressuscitar os antigos sobrenomes italianos como resultam em todos os atos do estado civil” .

De fato leis e decretos-lei dos anos 1926, 1927 e 1928 (r.d.l. 10 de janeiro 1926, n. 17, transformado na lei de 24 maio 1926, n. 898; r.d.l. de 7 de abril 1927, n. 494 e r.d.l. 21 de maio 1928, n. 1367) estabeleceram a retificação obrigatória e a volta em forma italiana dos sobrenomes de famílias das novas províncias anexadas à Itália depois da guerra 1915-18, sendo estas as províncias de Trieste, Fiume, Gorizia e Bolzano além daquelas de Trento. Este procedimento, de caráter excepcional, era devido às razões de oportunidade política e tinha como finalidade a de remediar a obra de germanização e de eslavizaçaõ que aconteceu sob a dominação dos asburgos, entre os povos reconquistados e reunidos depois à Itália.

A finalidade pratica era então aquela de retornar a língua italiana sobrenomes originariamente italianos ou latinos que foram transformados, nos territórios sob a dominação austríaca, em forma estrangeira e particularmente os sobrenomes italianos de origem toponomástica traduzidos em outras línguas o deformados com grafias estrangeiras ou com a adição de sufixos também estrangeiros.

Uma nova lei, a de 7 de julho 1934, exigia porém que um nome para poder ser devolvido à forma italiana não poderia demonstrar somente que derivava de uma raiz italiana ou latina, mas deveria ter a absoluta certeza que na sua forma original italiana ou latina era usado como sobrenome. A questão da retifica obrigatória dos sobrenomes nos territórios plurilíngües voltou a tona naturalmente depois da segunda guerra mundial.

De fato o governo austríaco nos acordos que aconteceram com o governo italiano em 5 de setembro 1946, contidos no tratado de paz entre a Itália e as potencias aliadas e associadas, assinado em Paris em 10 de fevereiro 1947, incluiu a seguinte norma: “Aos cidadãos de língua alemã da província de Bolzano e aos dos vizinhos Municípios bilíngües da província de Trento será concedido o direito de readquirir os nomes de família alemães que foram italianizados nos últimos anos” .

Sobrenomes judaicos

Os judeus usaram em sua pátria somente o nome bíblico. Mas as coisas mudaram com o inicio da Diáspora (dispersão) no Ocidente, ou seja depois da época em que os imperadores romanos Titus (em 70 d.C.) e Adriano (135 d.C.) destruíram Jerusalém e a Judéia obrigando os israelitas a peregrinar por toda a Europa.

Na Itália os judeus estabeleceram-se inicialmente em Roma, nos sul e nas ilhas (Sicília e Sardenha), mais tarde também no centro e no norte. Estes se identificavam com o apelido de judeu, hebreu, israelita, semita precedido pelo nome próprio. Com o passar dos séculos, quando aos poucos conseguiram obter a emancipação, obtiveram também o direito e o dever de assumir um sobrenome. Como seus nomes pessoais e apelidos se repetiam muito, difundiu-se o habito de atribuir a eles um sobrenome que fazia alusão ao lugar de origem: a cidade (italiana ou européia) de onde eles provinham, assim apareceram sobrenomes como Milano, Orvieto, Perugia, Treves, Terracina, etc..

As vezes o sobrenome era obtido traduzindo ou transferindo no léxico italiano os apelidos hebraicos - por exemplo o nome israelita Bem Porath (filho do fruto) foi italianizado em Bemporad (assonância) ou em De Pomis (tradução) – ou usando um nome que aludia as profissões e ofícios, como Cantor, Cantorinio, Orefici, Astrólogo, etc. As vezes os judeus que se convertiam ao cristianismo assumiam o sobrenome de seus padrinhos de batismo.

É incorreto acreditar que todos os sobrenomes geográficos sejam próprios dos judeus enquanto isto é verdadeiro somente para um determinado número de sobrenomes relativamente recentes e limitadamente a algumas regiões..

Na Itália os sobrenomes das famílias judaicas ou são geográficos italianos ou são alemães, principalmente em Milão; ou são espanhóis, como na Toscana e mais do que tudo em Livorno; ou são orientais como em Nápoles e alguns em Milão; ou são gregos, como em Trieste ou, enfim, são puramente hebraicos ou muito diferentes, espalhados em toda a península.

Porém nem todos os sobrenomes geográficos são próprios dos judeus e nem todos os sobrenomes difundidos entre os judeus são exclusivamente judeus, podem ser muito bem próprios também de pessoas cuja mais antiga tradição familiar sempre foi cristã.

No fim de 1700 os principais estados da Europa já tinham obrigado os judeus a assumirem um sobrenome.
Entre as medidas adotadas durante o regime fascista pela famosa defesa da raça italiana havia a lei de 16 de junho 1939, n. 1055 sobre as regras dos sobrenomes das famílias judaicas. Conforme esta lei os cidadãos italianos pertencentes à raça judaica que tinham mudado seus sobrenomes por outros que não revelavam sua origem, eram obrigados a reassumir o antigo sobrenome, sob pena de graves penalidades.

Alem disso a mesma lei, em outro item, continha disposições em matéria testamentária declarando nulas todas as clausulas subordinadas a herança ou legado ao fato de pertencer o beneficiado à religião israelita etc.

Os cidadãos nascidos de pai judeu e de mãe não judia podiam trocar seu sobrenome por aquele originário materno.

Os não-judeus cujo sobrenome podia deixar entender que fossem judeus, tinham a possibilidade de trocar de sobrenome com outro ariano.
Tais modificações eram dispostas pelo Ministério do Interior de comum acordo com o Ministero di Grazia e Giustizia.

Com um decreto lei de 20 de janeiro 1944, n. 25, tendo em vista a reintegração dos judeus italianos e para reparar os danos políticos e morais criados através de uma política racista foi abolida a lei de 1939 e no mesmo tempo foi disposto que todas as anotações de caráter racial inscritas nos registros do estado civil até as relativas aos sobrenomes deviam ser consideradas como inexistentes.

Sobrenomes mais freqüentes na Itália

A seguinte lista, com os sobrenomes mais freqüentes existentes na Itália, foi compilada por meio de pesquisas efetuadas pelo Instituto Central de Estatística em municípios com uma população superior aos 100.000 habitantes, sendo eles, em ordem decrescente de população:

Roma (Rossi, Proietti), Milão (Rossi), Nápoles (Espósito), Turim (Ferrero,Rossi), Genova (Parodi, Rossi, Canepa, Bruzzone, Traverso), Palermo (Messina, Russo), Florença (Innocenti), Bolonha (Venturi e Ventura, Barbieri

, Montanari), Veneza (Vianello), Catania (Russo e Di Stefano), Bari (Cassano, Lorusso e Milella), Messina (Cucinotta, Arena e Costa), Verona (Ferrari, Avesani), Taranto (Russo), Padova (Schiavon, Bortolani, Galeazzo,

Varotto), Brescia (Ferrari), Reggio Calábria (Romeo), Livorno (Rossi), Ferrara (Mantovani), Cagliari (Melis), Parma (Ferrari), La Spezia (Cozzani, Ferrari, Rossi, Torracca), Modena (Ferrari), Reggio Emilia (Ferrari) e

Bergamo (Rota).



Bibliografia



Vito Tartamella – Nel cognome del popolo italiano – viennepierre. edizioni



Milano 1995



C.D. De Camelis – I cognomi in Italia - ed. R. Noccioli, Firenze 1960



Emidio De Felice – Dizionario dei cognomi italiani _ ed. Mondadori,



Milano, 1978



Enciclopédia G. Treccani, 1935 - v.XXIV- O diritto ao nome – pg. 894



Gazzetta Ufficiale Del Regno d´Italia – n.º 179 13/07/1939, XVII e n.º 256

31/10/1940, XVIII

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[1] Nome derivante do rio Adige, que travessa esta região.



http://www.genealogiajudaica.com.br/default.asp?PG=CONTEUDO&IDCANAL=94&IDSECAO=220&IDCONTEUDO=688



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A origem dos Sobrenomes judaicos



É de conhecimento geral que sobrenomes como Choen, Levy e Katz são praticamente exclusivos dos judeus e que Gross, Schineider, Schwartz e Weiss comumente também indicam famílias judias. Passa um tanto despercebido que o mesmo processo que produziu esta distinção também faz dos sobrenomes uma importante fonte de conhecimento sobre história e cultura judaicas.

De acordo com o segundo capítulo de Bereshit, no início dos tempos, todas as coisas vivas foram trazidas a Adam: "E como as chamou, este passou a ser seu nome." A vida era obviamente mais simples quando havia apenas dois de cada espécie. De fato, mesmo o nome de Adam é uma das palavras hebraicas para homem; e a Bíblia regularmente se refere a sua esposa como haishá - "a mulher."

A medida que as pessoas se multiplicavam, contudo, e se tornou necessário distinguir uma da outra, surgiram nomes próprios. E quando estes não eram mais suficientes, várias formas de "nomear" foram adicionados, mostrando

ascendência, profissão, origem ou alguma característica que diferenciasse os diferentes Yossefs, Aharons ou Miriams que viviam numa única comunidade.

Assim, na Bíblia, encontramos parentesco para ambos, judeus (Yehoshua ben ("filho de") Num, Hoshea ben Beeri) e não-judeus (Balak ben Tsipor, Bil'am ben Beor), bem como nomes que incorporavam uma série de antepassados -

Côrach ben Yits'har ben Kehat ben Levi; Mordechai ben Yair ben Shim'i ben Kish. Durante o período talmúdico encontramos Yochanan, o sapateiro; Hillel, o Babilônio; Gamliel, o Ancião; Aba Arika ("o alto"). É claro, nenhum destes apelidos era hereditário, uma vez que tinha relações com a vida do dono.

Os modernos sobrenomes hereditários remontam ao fim da Idade Média e, entre os judeus, uns poucos séculos mais tarde. Começam com as famílias reais, ansiosas por identificar a si mesmas com uma famoso ancestral ou

propriedades, quase que do mesmo modo que os líderes dos chassidim de Chabad tomaram o nome Schneersohn ("descendentes de Shneur"), em honra a seu fundador dinástico, Rabi Shneur Zalman de Liadi. Quando os nobres imitam a realeza e a peble os nobres, os sobrenomes estabeleceram-se por toda a Europa. Embora judeus "emancipados" tomassem sobrenomes em reconhecimento a sua assimilação cultural, os judeus em geral primeiramente resistiram à tendência. Mas à medida que as cidades e as nações começaram a organizar arquivos oficiais, tornou-se óbvio que apelidos de família permanentes eram essenciais à eficiência; e dos judeus foi exigido que adotassem sobrenomes em um país após outro - na Áustria em 1787, França em 1808, Prússia em 1812.

Ao adaptar a antiga tradição sob a qual cada judeu é identificado ou como um descendente de Aharon, o primeiro sacerdote (Choen) ou da tribo de Levi, ou do resto da nação judaica (yisrael), muitas famílias chamavam a suas mesmas de Cohen, Cohn, Kahn, Kahana; Levy, Levi, Levin; Israel, Iserel. Outros empregavam títulos-padrão de sinagogas como Chazan, ("cantor") e Beck, de Baal; Corê, ("o ledor da Torá") ou acrósticos como Katz, de Cohen Tsêdec, ("o justo sacerdote") e Segal, de Segan Leviyá ("ajudante sacerdotal). Outros ainda tiravam os sobrenomes do ganha-pão de um ancestral.

Os mais óbvios sobrenomes referem-se a traços físicos distintivos. Apesar da severa condenação de Shulshan Aruch de apelidos pejorativos, as pessoas com os mesmos nomes eram distinguidas por alcunhas como Grande, Pequeno, Magro,

Gordo. Isto é mais evidente em famílias com diversos primos com o mesmo nome de um avô, uma situação que resulta em nomes como Grande Ester; e Moshê der roiter ("o ruivo") em oposição a Moshê der shvartser ("o moreno).

Muitos destes nomes- especialmente ao menos ofensivos - tornaram-se nomes de família em diferentes línguas: Black ("preto") em inglês corresponde a Schwartz em alemão e yidish, e em russo e polonês Cherney; White ("branco")

em alemão e yidish é Weiss, e em russo Belli; uma pessoa grande é Gross em alemão e yidish, Krupney em russo, Wilki em polonês, Nagy em húngaro; uma pessoa pequena, Klein em alemão e yidish, Malenki em russo, Piccolo em italiano.

Com afinidades a estes, há outros sobrenomes que se referem a anseios e bênçãos sobre o filho; por exemplo, em alemão Kluger ("inteligente"), Scharf ("perpicaz"), Susskind ("doce criança"); o russo Balaben ("querido") e Lefky ("inteligente"). Mas talvez os mais antigos de todos - de volta às benções de Yaacov sobre seus filhos ao final de Bereshit - são aquelas designando atributos de animais: Yehudá, Gur Aryê ("jovem leão"), Binyamin, Zev

("lobo"), Naftali, Hirsch ("cervo").



Durante a Idade Média na Alemanha, era comum que um nome judaico fosse seguido por seu equivalente germânico, como Aryê Lowe ("leão"), correspondendo ao yidish Aryê Leib, Dov Ber ("urso"), Tsevi Hirsch ("cervo"), Zev Wolf ("lobo). Este costume era aparentemente difundido, como

pode ser observado em sobrenomes russos. Lev ("leão"), Volk ("lobo"), Olen ("cervo"), Medved ("urso") e mesmo o nome espanhol Lopez, do latim lupus ("lobo").

Enquanto os sobrenomes escolhidos para si mesmos eram agradáveis ou ao menos neutros, os forçamente impostos eram freqüentemente cruéis. Motivados por amplo anti-semitismo ou o desejo de suborno, as autoridades impingiam a suas vítimas nomes como Kalb ("bezerro"), Knoble ("alho"), Schlemmer("comilão"), Zwieble ("cebola").

Esta espécie de sobrenomes, contudo, muito nos diz sobre as características que os judeus valorizavam, sua ligação às antigas tradições bíblicas e as indignidades que sofreram nas mãos das autoridades dos séculos XVIII e XIX.

Outros três tipos de sobrenomes - os que mostram ascendência, origem e ocupação - são mais significativos que as características físicas como indicadores de onde moravam e o que faziam os judeus.





O valor do nome



Na Idade média, ao abrigar os judeus a adotar um patronímico, os governantes resolveram que deveriam pagar pelo nome - quanto mais pomposo, mais pagavam.

Os mais belos e poéticos eram Rosenberg ("montanha de rosas"), Morgenstern ("estrela da manha"), Silverberg ("montanha de prata"). Mais baratos eram os

nomes das profissões: Meier ("fazendeiro"), Fischer ("pescador"), Kaufmann ("mercador"). Nesta categoria estavam também os nomes de cores: Grün ("verde"), Braun ("marrom"), Roth ("vermelho"); e de animais: Fuchs ("raposa"), Katze ("gato"); Vogel ("pássaros"); e cidades.

Em todas as partes do mundo, os judeus têm nomes que significam "filho de", uma prática que remete à Bíblia. Assim, mesmo na ausência de outra prova, poderíamos presumir que as colônias judaicas deram origem ao árabe ibn Ezra; ao inglês, Israelson; ao alemão, Mendelsson; ao russo, Jacobowitz; ao polonês, Abramowicz. E a este respeito é interessante notar a popularidade de uma nome como David, que forma a base de Davidson, ibn Daud, Davidowitz, Davidowicz.

É claro, séculos de distorção têm obscurecido a fonte de muitos patronímicos, com Faivelson e Faitelson. Já nos tempos do Talmud, os judeus tinham nomes gregos como Alexandre, Antígono, Hircano, Phoebus. Ao final,

Phoebus tornou-se Faibush em yidish, com o diminutivo Faivel e o patronímico padrão hebraico ben Faivel foi traduzido no sobrenome Faivelson remonta à Alta Idade Média, quando muitos nomes hebraicos foram traduzidos nas línguas românicas, dando Chayim-Vidal (de "vita", vida); Baruch-Bendit (de "benedictus", bendito); Ticva-Shprintsá (de "esperanza", esperança). Ao mesmo tempo, Vidal tornou-se Faitel, a base de Faitelson. Os detalhes das

colônias são fornecidos por outros sobrenomes também, uma vez que um recém-chegado recebe um apelido de acordo com a sua morada anterior - como era Hilel, o Babilônio. Assim, podemos Ter certeza que os judeus viveram e migraram de países cujos nomes levaram consigo: Frankel, Deutsch, Hollander,

Pollack.

Pela mesma razão, podemos presumir grandes populações judaicas das cidades representadas por sobrenomes, como o italiano: Módena, Montefiore, Romano, Soncino; espanhol: Milona, Navarro, Torme, Trujillo; português: Castro,

Oporto, da Silva e da Sola; alemão: Berliner, Frankfurter, Neustadter, Oppenheimer; polonês: Breslau, Krakow, Warsaw, Wilner; russo: Kief, Minsky, Novgoroder, Penza - além de nomes que terminam em -berg ("cidade"), -berger("da cidade), -owitz e sky ("de"), como Greenberg, Isenberger,

Gartenberg, Neuberger, Isenberger, Moskowitz, Washavski, Poznanski.

Finalmente, se os nomes descritivos contam que os judeus valorizavam e o patronímico e sobrenomes de origem dizem onde viviam, os sobrenomes indicam uma grande visão social daqueles baseados na ocupação. Que os judeus em todo

o mundo eram artesãos está claro a partir da riqueza de sobrenomes profissionais: correspondente a alfaiate (em inglês Taylor) temos um Schneider em alemão e yidish, Portnoy em russo, Krawiec em polonês, Sarto em italiano, Chayat em hebraico; para padeiro (em inglês Baker) temos Becker em alemão e yidish, Pekar em russo, Pek em húngaro, Boulanger em francês; para açougueiro (em inglês Butcher) temos em alemão e yidish Fleischer, Katsof em hebraico, Mesnik em russo e Boucher em francês.

Ademais, uma visão adicional surge do amplo uso de nomes hebraicos como Sofer ("escriba"), Melamed ("professor") e Chazan ("cantor"), no lugar de traduções vernáculas como com as ocupações seculares. Os únicos que parecem ter alguma aceitação real são o alemão Schreiber ("escriba") e Lehrer ("professor") e o francês Scrivain ("escriba"). E, desnecessário dizer, todos estes sobrenomes devem ser comparados com a total ausência de nomes hebraicos do tipo Farmer (fazendeiro), Gardener (jardineiro) e Forester (couteiro).

Contudo, embora seja possível classificar sistematicamente como os sobrenomes se originaram, é impossível prever o que acontecerá com eles. E isto é também um reflexo da História judaica. Assim, à medida que os judeus

migraram de um país para outro, por força ou por escolha, tinham constantemente de anglicizar, galicizar, hebraizar, diminuir, aumentar, dar outra grafia, reinterpretar ou simplesmente mudar nomes que antes tinham significado em outra língua.

Desta maneira, o nome descritivo Frummer("religioso") tornou-se Farmer; Gartenberg tornou-se Gardener ao contrário de nomes profissionais judaicos. Do mesmo modo, Shkolnik tornou-se Eshkol; Myerson, Meir; Gruen, Ben Gurion; Berg tornou-se Boroughs; Schreiber, Writer e Wright; Chayat tornou-se Hyatt ou talvez Chase; Neustadt e Novgorod ambos tornaram-se Newton.

E, uma ironia derradeira, todo o propósito dos sobrenomes - Ter um registro permanente de laços familiares - ficou subvertido.

(Fonte: www.shalombr.com)
Luís Alberto Furtado

Leia também: Sobrenomes usados por cristãos novos

Se você quer saber mais ou pesquisar teu nome entre aqui: Sephardim


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