Em cenário de margens estreitas e coalizões fragmentadas, participação de 50 mil expatriados pode definir próximo governo de Israel
Dezenas de milhares de israelenses que vivem no exterior estariam reservando voos de volta para casa para votar — e o partido Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, tenta impedir que pelo menos parte deles viaje.
Durante a semana, o Likud apresentou uma petição solicitando à Comissão Central de Eleições de Israel que bloqueasse a "Fly & Vote", uma iniciativa de base que ajuda expatriados israelenses a voar de volta para o dia da eleição.
O Likud acusa o grupo de realizar uma operação ilegal financiada por recursos estrangeiros, alegando que a iniciativa poderia "prejudicar gravemente a integridade da eleição".
Em um país onde margens estreitíssimas frequentemente decidem o resultado de uma eleição, esses votos podem desempenhar um papel fundamental na definição do próximo líder do país.
Ao contrário da maioria das democracias ocidentais, onde cidadãos no exterior podem enviar seu voto por correio, Israel não permite o voto à distância; apenas diplomatas e representantes oficiais podem votar fora do país.
Cidadãos comuns que estejam no exterior — um contingente que pode chegar a 10% da população em determinado momento — precisam retornar ao país ou abrir mão de seu direito de voto.
Adi Ayash, um criador de conteúdo digital israelense que vive na Tailândia, afirmou que nunca houve dúvida sobre voltar para votar.
"Como alguém muito engajado e preocupado com a realidade da liderança israelense (atual), sinto que é meu dever", disse ele à CNN. "Não exercer meu direito democrático por causa do custo das passagens ou por conveniência me parece uma hipocrisia extrema", disse ele.