O aparato de defesa de Israel está monitorando de perto a troca pública de ameaças entre Jerusalém e Ancara, alertando que as tensões podem prejudicar a liberdade de ação das Forças de Defesa de Israel na Síria.
Recep Tayyip Erdogan
Reuters
Cresce a preocupação no meio militar de Israel com o aprofundamento do confronto com a Turquia, em meio a temores de que a escalada na troca de ameaças possa restringir a liberdade de ação da Força Aérea Israelense na Síria.
O Canal 12 informou que o que começou como uma operação discreta destinada a estabelecer limites claros se transformou nos últimos dias em um confronto aberto entre o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e a liderança política e de defesa de Israel.
Jerusalém agora enfrenta um dilema sobre como responder caso Ancara tente reimplantar sistemas tecnológicos avançados e armamentos na Síria. O ataque das Forças de Defesa de Israel (IDF) à base aérea militar de Abu al-Duhur, localizada a apenas 70 quilômetros da fronteira com a Turquia, teve como objetivo sinalizar tanto para Ancara quanto para Damasco que Israel não permitiria o uso de drones avançados, sistemas de defesa aérea ou mísseis de precisão na base.
Segundo o plano da Turquia, os sistemas supostamente deveriam operar sob o pretexto de reconstruir as forças armadas sírias, uma medida vista por Israel como uma ameaça direta à sua superioridade aérea.
A decisão de realizar o ataque foi tomada depois que os esforços diplomáticos, incluindo mensagens diretas e conversas conduzidas por meio dos americanos, não conseguiram impedir o ocorrido.
Por fim, as Forças de Defesa de Israel recomendaram um ataque limitado, visando as pistas de pouso em vez dos próprios carregamentos de armas, em um esforço para enviar um aviso sem desencadear uma escalada imediata.
Nesse contexto, o Ministro da Defesa de Israel, Katz, criticou duramente o presidente turco no sábado e o advertiu para que não testasse a determinação de Israel. "Erdogan está arrastando a Turquia para aventuras perigosas na Síria", disse Katz. "Israel não permitirá que nenhuma parte ameace sua segurança."
Katz também zombou dos discursos de Erdogan no parlamento turco em Ancara, descrevendo-os como "discursos cheios de retórica vazia".
Entretanto, Tom Barrack, embaixador dos EUA na Turquia e enviado do presidente Donald Trump para a Síria, afirmou que Israel forneceu informações sobre um suposto plano turco de enviar tropas para a Síria, mas alegou que as informações eram imprecisas. Ele acusou Israel de tentar "atrair" a Turquia para um confronto e insinuou uma possível ligação com as próximas eleições.
Em resposta às declarações de Barrack, Katz emitiu uma declaração incomum esclarecendo: “As Forças de Defesa de Israel recomendaram diversas vezes que o aeródromo de Abu al-Duhur, na Síria, fosse atacado, tendo em vista as informações claras recebidas sobre as intenções da Turquia de realizar atividades ali que colocariam em risco a segurança do Estado de Israel. Ao mesmo tempo, essas informações foram repassadas às autoridades competentes nos Estados Unidos. Após o pedido não ter sido atendido, o primeiro-ministro e eu autorizamos as Forças de Defesa de Israel a realizar o ataque, que foi executado com sucesso.”